Motivação e novas possibilidades

Nesta última sexta-feira (07/12/2007), a professora Elizabeth Almeida da PUC-SP apresentou um panorama sobre a EAD no Brasil, em especial as actividades desenvolvidas pelo seu grupo de pesquisa. Pelo que foi mostrado, pode-se dizer que o grupo tem feito um bom trabalho no que diz respeito à formação de professores, e a divulgação dos seus resultados, ou lembrando o que foi dito, os resultados das pesquisas de hoje devem ser públicos, não existe mais a luta pelo “dado”.

Mas pretendo aqui ressaltar um item que achei particularmente interessante, os números apresentados logo no início da sua apresentação que demonstram uma deficiência enorme de professores no Brasil, em especial professores de Física e Química. Não vou preocupar-me com o porque destes números, se o governo deixou de fazer investimentos, ou se faz de forma errada. O que pretendo aqui é indicar a possibilidade de uma saída para isso. Uma saída que já está entrando em execução.

Já falei algumas vezes da Universidade Aberta do Brasil (UAB), e peço licença para falar de novo. Não sou um evangelizador deste programa, acredito inclusive que ele possui alguns problemas, mas queria ressaltar alguns pontos:

1º – A possibilidade de inclusão que este programa gera, através dele, pessoas que estão há vários anos fora de uma sala de aula podem retornar e obter uma graduação.

2º – A divulgação do uso das TIC. Claro que isso é discutível, mas o modelo proposto para os cursos da UAB exigem o uso de computadores pelos alunos, e com isso pode ser que muitos que antes não dominavam essa ferramenta, passem a usa-la. Essa é uma hipótese pessoal.

3º – A possibilidade de reduzir esse deficit de professores no Brasil.

Pensando nesse 3º item me fez procurar pelos cursos aprovados na primeira onda da UAB e descobri que foram aprovados 280 pólos que podem oferecer até 40 mil vagas. Além disso, existe a pretensão de aumentar esse número para mil pólos até 2010. Sendo mais específico, foram aprovados 197 cursos em instituições federais de ensino, sendo que destes temos:

9 graduações em Física
8 graduações em Química
11 graduações em Matemática
1 graduação em Ciências da Natureza
2 Pós-graduações em Ciências da Natureza

É claro que esse número está longe de cumprir o seu papel em acabar com o provável deficit de professores mas se bem aplicado, acredito que possa gerar alguns resultados. Um exemplo, é o curso de graduação em Química ministrado pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso (CEFET-MT). Que atende entre outras localidades a cidade a cidade de Primavera do Leste a 240 Km de Cuiabá, a capital deste estado. Por sua vez esse curso possibilitou que Márcia dos Santos, uma moradora desta cidade que não havia completado o curso de pedagogia, pudesse depois de 20 anos voltar a ter aulas. E claro, sonhar com a vida de professora.

Agora poderíamos discutir por exemplo a qualidade da formação que ela está a receber, mas isso prefiro deixar para outro post… só achei interessante achar todos esses dados, e claro, é sempre bom dizer que no Brasil temos algumas iniciativas que podem até dar certo…

Fontes:
http://www.elearningbrasil.com.br/home/noticias/clipping.asp?id=4728
http://www.uab.mec.gov.br/
http://www.uab.mec.gov.br/cursosselecionadosuab.pdf
http://www.uab.mec.gov.br/demandaeofertadecursos.pdf

EAD = Novas Oportunidades

Na última semana, para ser mais específico dia 29/11, recebi um boletim do portal e-Learning Brasil, que trazia a seguinte chamada: “Formação a distância ajuda professora a vencer barreiras”. Claro que isso chamou minha atenção de confesso que não tinha colocado um comentário aqui sobre essa matéria por falta de tempo.

Esta matéria conta como programas de EAD podem ser usados para diminuir um pouco a deficiência de formação em algumas áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos. Como já é conhecido, essas áreas muitas vezes possuem uma deficiência de profissionais qualificados, e talvez por isso, acabam por apresentar deficiências na formação básica dos alunos.

Percebam que não estou aqui para julgar até que ponto essa deficiência vem apenas do afastamento dos centros urbanos, ou a falta de investimento por parte dos governantes, ou ainda o teor dramático que é dado no início da matéria. Mas a ideia de EAD servindo para diminuir o enorme deficit educativo de algumas regiões é sempre bom de ler. Acho que tudo resume-se nas falas da professora Maria José Pinheiro, de quem trata a matéria:

“A dificuldade que a gente tem para dar aula e se atualizar é muito grande, porque o município oferece poucos recursos. O professor tem que buscar por conta própria da forma que ele pode”

E sobre a qualidade da sua formação ela diz:

“Foi muito enriquecedor. A equipe do programa ofereceu um material muito bom para estudar em casa e nos deu todo o apoio. Durante o curso os professores também participaram de oficinas, debates e aulas práticas”

Maria José foi aluna da primeira turma do curso Proinfantil, do Ministério da Educação do Brasil. É um curso Sem-Presencial para formação de professores de nível Normal. Além disso, essa mesma professora vai poder usufruir de um outro programa, dessa vez uma graduação proporcionada pela Universidade Aberta do Brasil (UAB).

É claro que esses programas, assim como tantos outros que já surgiram nessa linha no Brasil e no mundo, acabam por enfrentar alguns problemas como atrasos, falta de pagamento ou falta de incentivo adequado, mas é inquestionável a importância destes. Será que conseguiremos atender cada vez mais as várias Maria José que existem por ai?

A matéria completa pode ser vista em: http://portal.mec.gov.br/seed/index.php?option=com_content&task=view&id=9530&interna=6

Referências:
– Secretaria de Educação a Distância (2007). Formação a Distancia Ajuda Professora a Vencer Barreiras. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seed/index.php?option=com_content&task=view&id=9530&interna=6. Visitado em: 03/12/2007
– Secretaria de Educação Básica. Prinfantil. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/index.php?option=content&task=view&id=44. Visitado em: 03/12/2007
– MEC não da prazo para o pagamento das bolsas do Proinfantil. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u4426.jhtm. Visitado em: 03/12/2007

Alguma coisa sobre o m-Learning

Durante as aulas foi levantada essa bola, m-Learning.

Desde então, um mundo novo se abriu perante os meus olhos. A princípio essa que para mim era uma modalidade completamente estranha, e inacessível para a maior parte dos usuários, tem se mostrado uma alternativa interessante. Tendo em vista as experiências que tive a oportunidade de ver nessa última semana.

O que deve ficar claro, é que Mobile Learning, ou m-Learning, nada mais é do que a utilização de recursos móveis para a aprendizagem. Acho que dito assim, simplifica-se bem o conceito e aproxima-se da prática e da realidade das escolas. Isso porque podemos utilizar os telemóveis que a grande maioria dos alunos têm, para fazer a divulgação das aulas através de ficheiros de áudio ou vídeo. Podemos incentivar a troca SMSs, não só entre alunos, mas entre alunos e professores podendo assim, fornecer meios para a divulgação da informação e para que as dúvidas dos alunos possam ser tiradas em qualquer momento.

É claro que isso tudo acarretam custos. E muitas vezes isso faz com que a utilização do m-Learning se torne inviável, mas acredito que com a evolução das tecnologias, os custos tendem a se tornar menores, e quem sabe em curtíssimo prazo possamos ver muitas dessas iniciativas nas nossas aulas diárias?

Para já, gostaria de deixar um vídeo que mostra uma experiência no reino unido em que são utilizados PDAs para fazer o treinamento do pessoal de um hospital. O vídeo está em inglês, mas além de possuir uma estrutura muito interessante, ele mostra os próprios alunos falando sobre o programa, e as opiniões a respeito desta nova forma de ensino. Opiniões do tipo:

“Ler um livro parece sempre ser um trabalho duro. Mas isso é como um jogo, um bom jogo”
“PDAs são mais rápidos do que computadores normais”

Além disso, elogiam a aparencia, a atratividade, e a portabilidade dos PDAs. Se isso está a ser dito por usuários que são de uma geração anterior aos dos nossos aluno, “imigrantes digitais”, o que não pensam os miúdos a esse respeito?

Second Life. Uma onda momentânea?

Uma breve pesquisa por Second Life (SL) no google retorna aproximadamente 563 milhões de resultados, o mesmo termo no YouTube retorna aproximadamente 293 resultados. A meu ver esses números servem para mostrar toda a empolgação da mídia e dos usuários com esse novo “mundo virtual” que nos foi “presenteado” pela Liden Labs.

No entanto, como educador, e estudiosos de educação preocupa-me o fato de, se realmente esse ambiente pode ser usado como um ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Muitas empresas (como por exemplo IBM, Toyota e Sony), já possuem espaço cativo no SL e procuram dar alguma utilidade para todo o dinheiro investido em funcionário, programação, equipamento e terreno gasto para entrar neste mundo, a IBM inclusive já promove cursos e debates neste ambiente. Como usuário de SL já há uns 2 anos, devo dizer que ainda tenho pouca fé em uma utilização realmente fundada deste.

Fico feliz quando vejo que não sou o único com essa preocupação, visto que alguns artigos liberados recentemente por uma revista brasileira de renome na área de informática, Info Exame: Info Online – É hora de entrar no Second Life, Faltam serviços no Second Life, dizem especialistas.

Porém este post não pretende apenas apresentar problemas, mas dar o relance de algumas possíveis soluções. Não pretendo discutir o mérito das empresas, mas na minha humilde opinião, no que diz respeito à educação e em especial a Educação a Distância, acho que temos duas soluções em vista.

1ª – Conforme apresentada por Jeremy Kemp e Daniel Livingston (2006), passa pela junção do SL com os AVA existentes. Eles inclusive citam um pequeno exemplo de junção entre o SL e a Moodle.

2ª – A criação de uma espécie de “SL” livre, open source. Isso se faz necessário, uma vez que qualquer acção a ser realizada dentro do SL depende dos recursos disponibilizados pelo Lindem Labs, e claro isso limita os recursos aos interesses desta companhia. Como muitas vezes a criação de um avatar (personagem pessoal virtual) detalhado demanda muito tempo, um usuário que crie um dentro do SL, não irá querer fazer o mesmo em outro ambiente. Além disso, temos diversos exemplos que nos mostram que ao liberar o código, ou ao tornar um programa “livre”, este ganha muitos outros recursos potencializados pela comunidade de usuários.

Na verdade uma solução acabaria por complementar a outra, pois actualmente todas as formas de interacção entre os personagens do SL resumem-se a texto, basicamente ASCII, e um pequeno recurso que simula uma apresentação de Power Point, mas que demanda que o usuário faça o upload de cada slide como se fosse uma figura individualmente. Esses recursos, em especial a troca de textos, nos permite a troca de informações entre o SL e AVAs, através do protocolo HTTP, mas claro ainda de forma muito limitada.

Estamos limitados ainda por outros factores, como conhecimento da linguagem de programação utilizada no SL (LSL), a falta de hardware potente o suficiente para rodar ambientes 3D, falta de uma maior disseminação de conexões de banda larga, dificuldades de adaptação do Ambiente 3D para usuários com dificuldade de leitura.

Portanto, apesar de acreditar na possibilidade de uso do SL como uma ferramenta que potencialize a EAD, reconheço que ainda estamos engatinhando e temos muito o que criar neste ambiente, ou quem sabe, criar um ambiente semelhante. Para assim podermos evoluir para as próximas gerações do EAD.

Referências:

– Kemp, J. & Livingston, D. (2006). PUTTING A SECOND LIFE “METAVERSE” SKIN ON LEARNING MANAGEMENT SYSTEMS. Disponível em: http://www.sloodle.com/whitepaper.pdf. Acessado em: 21/11/2007

– IBM propõe levar avatares para fora do Second Life. Disponível em: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/102007/10102007-0.shl. Acessado em: 21/11/2007

– Second Life? Que nada. Disponível em: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/092007/20092007-22.shl. Acessado em: 21/11/2007

http://info.abril.com.br/busca/resultado.shtml?qu=second+life+ibm&si=info&si=infocorporate&ac=0&np=10&rd=1&ao=0

http://www.google.com

http://www.youtube.com

Jogo brasileiro ensina jovens a distância

“Existe quem ainda pense que os games não devem ser levados a sério. Certamente, estas pessoas deveriam conhecer o designer Leonardo Costa, 32, que se especializou em Computação Gráfica e Educação à Distância.”

Dessa forma, Théo Azevedo começa a sua matéria que pretende apresentar um jogo electrónico brasileiro que já foi utilizado para a educação de jovens brasileiros na idade de 14 a 16 anos no Brasil. E agora conta com um financiamento de R$ 200 mil, para garantir a sua expansão.

O jogo começou como uma mini-série produzida em flash, mas graças ao sucesso obtido, foi garantida a verba para a sua expansão. Hoje o este é o produto chave do projecto “CAI Básico EAD 2006”, desenvolvido pelo SENAI – DR Bahia, Nucleo de Ensino a Distância NEAD em conjunto com a Secretaria de Educação do Governo do Estado da Bahia (SEEBA).

Começando em 2004, o projecto CAI contava apenas com uma transmissão de imagens gravadas em um estúdio de TV utilizando-se de tecnologia de vídeo-conferência ponto a ponto. Posteriormente sentiu-se a necessidade de uma maior interacção entre os alunos, e para isso foi disponibilizado um portal na internet para eles. Para atingir um público em massa e proporcionar a expansão do curso para o interior do estado, proposta que acompanha o curso desde a sua criação, foi necessário esse acordo com a SEEBA, que permitiu a construção de 30 centros tecnológicos espalhados pelo interior do estado.

Porém, a expansão do projecto trouxeram algumas preocupações:

“Neste novo contexto, no Projeto CAI Básico EAD 2006, os alunos estarão bem mais isolados que em 2004: o sistema de videoconferência será multiponto, o que não permitirá a participação dos alunos de forma imediata, (…); não teremos aulas todos os dias da semana, mas somente às segundas, quartas e sextas, deixando que os alunos participem, somente pela internet, nas terças e quintas; some-se a isso o fato de que teremos um aumento de 40 para 150 alunos, exigindo maior acompanhamento e cuidado com a dispersão dos mesmos, disciplina, falta de atenção, e demais problemas comuns em sala de aulas.” (Gadelha, p. 3)

Visando equacionar esses desafios, foi proposta a criação da “Turma do Claudinho” um jogo no estilo RPG on-line, que pretende acompanhar os alunos durante todo o processo de ensino-aprendizado, incluindo uma maior participação no portal Moodle (portal do curso na internet), e maior participação e atenção nos quadros do programa de TV, que ainda é a base do curso.

Actualmente a equipe de desenvolvimento da “Turma do Claudinho” conta com 12 pessoas e participação das cidades de Vitória da Conquista, Jequié, Paulo Afonso, tabuna, Itaberaba e Salvador. Sendo que a ideia é que cada cidade contasse com uma turma inicial de 25 alunos.

Fontes:
– UOL Games (http://jogos.uol.com.br/ultnot/multi/2007/11/07/ult530u5559.jhtm)
– Gadelha, G. A. (2006). A TURMA DO CLAUDINHO: UM JOGO ELETRÔNICO EDUCACIONAL VOLTADO PARA OS CURSOS DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL BÁSICOS DO SENAI. Disponível em: http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/seminario2/trabalhos/gustavogadelha.pdf. Acessado em: 16/11/2007

Sobre a importância do Ensino a Distância

Na última sexta-feira (08-11-2007) o portal de notícias “Diário Digital” publicou uma matéria que apresentava a importância do Ensino a Distância para o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gaco.

De acordo com ele, a EaD pode servir para diminuir as distâncias físicas graças ao uso das novas «tecnologias interactivas» e com isso fazer com que mais alunos tenham acesso a formação. Além disso ele também ressalta a importância da auto-aprendizagem propiciada pela EaD, ao dizer que «(…) ao ter à sua disposição diversa quantidade de informação, porque não é apenas lerem e terem acesso a sites de Internet, é também ter a possibilidade de comunicar, fazer perguntas, interagir com outros [alunos] que estão na mesma circunstância ou que sabem mais».

Nesta mesma matéria é apresentada ainda a “conferência sobre o ensino à distância, comemorativa do 20º aniversário da European association of Distance Teaching Universities” a ser organizada pela Universidade Aberta (UAb). Essa conferência está no programa oficial da presidência de Portugal da União Européia, e visa incentivar a cooperação entre as universidades europeias, para deste modo gerar uma internacionalização dos cursos a distância.

Acredito que deve-se ressaltar a importância que a UAb pode ter nessa internacionalização, uma vez que esta é uma instituição com bastante maturidade no uso das tecnologias de e-Learning. Mas deve-se contudo levar essa proposta com bastante cautela, pois muitas vezes, acha-se que tudo que envolve a internet anda na velocidade das transmissões dos dados. Deve-se lembrar no entanto, que para a UAb conseguir estabelecer cursos inteiramente online foram necessários 6 anos. E um projecto semelhando no Brasil, também intitulado UAB mas nomeado Universidade Aberta do Brasil, está com um atraso de vários meses em sua implementação inicial.

Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta, cita ainda um item que merece um estudo mais aprofundado, ele diz que a utilização do e-Learning tem trazido um «óptimo resultado social» na medida em que os alunos «trabalham em grupo, trocam mensagens, textos, debatem questões criam entre eles uma saudável competição para cada vez mais estar online e apresentar material». Acredito que isso pode ser verdade, mas merece um estudo especial, uma vez que normalmente as tecnologias são acusadas justamente do contrário.

fonte: Diário Digital e e-Learning Brasil

Começando

Olá a todos

Esse blog foi criado para servir de apoio ao componente curricular sobre Educação a Distância (EaD), do curso de Mestrado em Tecnologias Educativas.

Portanto, seu objetivo primeiro, é se tornar uma espécie de portefólio onde armazenarei os trabalhos realizados, além de é claro servir para disponibilizar alguns comentários e reflexões à respeito de EaD.

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