Second Life. Uma onda momentânea?

Uma breve pesquisa por Second Life (SL) no google retorna aproximadamente 563 milhões de resultados, o mesmo termo no YouTube retorna aproximadamente 293 resultados. A meu ver esses números servem para mostrar toda a empolgação da mídia e dos usuários com esse novo “mundo virtual” que nos foi “presenteado” pela Liden Labs.

No entanto, como educador, e estudiosos de educação preocupa-me o fato de, se realmente esse ambiente pode ser usado como um ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Muitas empresas (como por exemplo IBM, Toyota e Sony), já possuem espaço cativo no SL e procuram dar alguma utilidade para todo o dinheiro investido em funcionário, programação, equipamento e terreno gasto para entrar neste mundo, a IBM inclusive já promove cursos e debates neste ambiente. Como usuário de SL já há uns 2 anos, devo dizer que ainda tenho pouca fé em uma utilização realmente fundada deste.

Fico feliz quando vejo que não sou o único com essa preocupação, visto que alguns artigos liberados recentemente por uma revista brasileira de renome na área de informática, Info Exame: Info Online – É hora de entrar no Second Life, Faltam serviços no Second Life, dizem especialistas.

Porém este post não pretende apenas apresentar problemas, mas dar o relance de algumas possíveis soluções. Não pretendo discutir o mérito das empresas, mas na minha humilde opinião, no que diz respeito à educação e em especial a Educação a Distância, acho que temos duas soluções em vista.

1ª – Conforme apresentada por Jeremy Kemp e Daniel Livingston (2006), passa pela junção do SL com os AVA existentes. Eles inclusive citam um pequeno exemplo de junção entre o SL e a Moodle.

2ª – A criação de uma espécie de “SL” livre, open source. Isso se faz necessário, uma vez que qualquer acção a ser realizada dentro do SL depende dos recursos disponibilizados pelo Lindem Labs, e claro isso limita os recursos aos interesses desta companhia. Como muitas vezes a criação de um avatar (personagem pessoal virtual) detalhado demanda muito tempo, um usuário que crie um dentro do SL, não irá querer fazer o mesmo em outro ambiente. Além disso, temos diversos exemplos que nos mostram que ao liberar o código, ou ao tornar um programa “livre”, este ganha muitos outros recursos potencializados pela comunidade de usuários.

Na verdade uma solução acabaria por complementar a outra, pois actualmente todas as formas de interacção entre os personagens do SL resumem-se a texto, basicamente ASCII, e um pequeno recurso que simula uma apresentação de Power Point, mas que demanda que o usuário faça o upload de cada slide como se fosse uma figura individualmente. Esses recursos, em especial a troca de textos, nos permite a troca de informações entre o SL e AVAs, através do protocolo HTTP, mas claro ainda de forma muito limitada.

Estamos limitados ainda por outros factores, como conhecimento da linguagem de programação utilizada no SL (LSL), a falta de hardware potente o suficiente para rodar ambientes 3D, falta de uma maior disseminação de conexões de banda larga, dificuldades de adaptação do Ambiente 3D para usuários com dificuldade de leitura.

Portanto, apesar de acreditar na possibilidade de uso do SL como uma ferramenta que potencialize a EAD, reconheço que ainda estamos engatinhando e temos muito o que criar neste ambiente, ou quem sabe, criar um ambiente semelhante. Para assim podermos evoluir para as próximas gerações do EAD.

Referências:

– Kemp, J. & Livingston, D. (2006). PUTTING A SECOND LIFE “METAVERSE” SKIN ON LEARNING MANAGEMENT SYSTEMS. Disponível em: http://www.sloodle.com/whitepaper.pdf. Acessado em: 21/11/2007

– IBM propõe levar avatares para fora do Second Life. Disponível em: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/102007/10102007-0.shl. Acessado em: 21/11/2007

– Second Life? Que nada. Disponível em: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/092007/20092007-22.shl. Acessado em: 21/11/2007

http://info.abril.com.br/busca/resultado.shtml?qu=second+life+ibm&si=info&si=infocorporate&ac=0&np=10&rd=1&ao=0

http://www.google.com

http://www.youtube.com

Uma resposta

  1. Tiago, eu tenho pesquisado e realizado muitas experiências de educação no Second Life.
    Mantenho uma página com links e artigos comentados sobre o tema:
    http://blog.joaomattar.com/second-life/
    No meu blog há um post em que temos discutido intensamente esta questão:
    http://blog.joaomattar.com/2007/05/03/second-life-ead/
    Acabei de publicar o livro “Second Life e Web 2.0 na Educação”:
    http://www.novateceditora.com.br/livros/secondlife_edu/
    e estou terminando um curso que dei no Second Life, sobre EaD:
    http://blog.joaomattar.com/11/
    Gostaria depois de ouvir sua opinião sobre essas experiências!
    Abraços
    João Mattar

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